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  Cidadão Itaiense,
As informações que fazem parte deste texto constam no Boletim de Ocorrência nº. 587/2014 da Delegacia de Polícia de Itaí/SP.
Transcreveremos o teor do “Histórico” de referido documento, esclarecendo que neste tópico, “Histórico”, são fornecidas as informações para que a Autoridade Policial tipifique a conduta anunciada, normalmente pela vítima.
A vítima trata-se de VALMIR DOMINGOS, prefeito de Itaí.
Mas aqui cabe importante ressalva. VALMIR DOMINGOS compareceu na delegacia de polícia acompanhado de CARLOS (nome completo no referido boletim de ocorrência), que quando indagado de sua profissão, informou “detetive”. reside em Maringá, cidade paranaense.
CARLOS, então, prestou as seguintes informações (conforme consta no “Histórico” do B.O. 587/14-Depol Itaí):

“que sou detetive particular e no início deste mês, fui contatado através de meu telefone celular (o mesmo que consta em minha qualificação), por pessoa de voz masculina, de um número que parecia em meu telefone como privado (foram de 6 a 7 telefonemas, tendo conversado com 2 pessoas diferentes, ambas de vozes masculinas, mas podia ouvir voz feminina no fundo, bem como pode notar que havia um grupo de pessoas, com quem conversou) e tais pessoas queriam contratar meus serviços para fazer uma investigação político administrativa, bem como da vida privada do prefeito desta cidade.
Durante as conversas, as pessoas que ligaram pediram informações sobre instalação de aparelho gravador de áudio (escuta seriam instaladas no gabinete do prefeito), acompanhamento pessoal, rastreadores (tanto no veículo oficial da prefeitura quanto no carro particular do prefeito) e tudo o que mais eu disponibilizasse para que eles tivessem um controle total sobre a vida do prefeito (com quem ele conversava e onde ele estaria). Foi informado também pelos contactantes (que nunca se identificaram) que o foco principal da cobertura seria o gabinete do prefeito e segundo eles, eu apenas venderia os aparelhos de escuta a eles e que pessoas ligadas a eles (do lado político deles) e que trabalham na sede da prefeitura é que instalariam os equipamentos, falaram ainda que em posse de todo o material, tentariam instaurar uma “C.P.” contra o prefeito para cassá-lo. Numa destas conversas, ouvi vozes ao fundo e uma voz feminina dizia a outra pessoa “fica tranquilo, a jaca não é sua, é do prefeito (ela dizia isso a alguém que estava com ela. Pelo que eu percebi em nossas conversas, a intenção de quem me contactava era implantar provas contra o atual prefeito… eles diziam que eles tinham a maioria, que não era para eu me preocupar, que eles estavam estudando um jeito para implantar algo e eu respondi que não forjava nada, que faria apenas meu serviço de detetive.
Foi solicitado então, que eu me deslocasse até esta cidade, onde nos encontraríamos logo na entrada para fecharmos o acerto, sendo que, por motivos de força maior, me atrasei e assim que estava chegando na cidade, uma pessoa de voz masculina me ligou perguntando se eu estava chegando e ouvi uma voz feminina ao fundo dizer “vê com ele a questão de valores” e, então, o homem me perguntou qual seria o valor dos meus serviços e respondi que era R$ 11.000,00 (onze mil reais). O homem ficou mudo por um instante e então alegou que estava caro e que eles tinham contato com uma outra pessoa por um valor bem menor… eu perguntei quem era e eles falaram que era o detetive Azevedo (acho que ele é de Ivaiporã/PR), que também atende a região… o homem me pediu alguns minutos e disse que já me retornaria a ligação. Eu cheguei no local combinado (fiquei esperando na entrada da cidade, onde tem uma placa de cimento escrito Itaí), onde permaneci esperando por cerca de 3 horas, então, fui embora.
Conforme já mencionei, os contatos comigo sempre foram de número privado, conversei com 2 homens (vozes masculinas diferentes), parecendo sempre que eles estavam em grupo, devido ao barulho de vozes ao fundo.
Eu me senti lesado por ter viajado quase 400 km para atendê-los e não ter sido sequer reembolsado em meu deslocamento e tenho dúvidas se o contato encerrou-se por conta do valor de meus serviços ou se devido a minha afirmação de que não forjaria provas e nem manipularia o material fruto desta investigação.
Eu estive nesta cidade, no dia 09 ou 10 deste mês e após isso (não sabendo precisar a data) é que resolvi fazer contato com o senhor VALMIR e informá-lo sobre o que sei e que descrevi acima”
Foi perguntado a testemunha, se ele autoriza a quebra de seu sigilo telefônico (ref. Linha 44-8816 -????, sinais finais para preservar numeral telefônico – anotações nossas), tendo ele respondido que sim.
Cidadão itaiense, é o que consta, em suma, no histórico do boletim de ocorrência.
Agora, faremos algumas anotações de nossa lavra para que você, cidadão itaiense, tenha mais subsídios, além daqueles que possua, para que chegue a um discernimento sobre as informações prestadas por CARLOS na delegacia de polícia de Itaí no dia 23 de maio próximo passado, uma sexta-feira.
PRIMEIRO
CARLOS informou ter como profissão a de detetive particular.
SEGUNDO
Que foi contatado por telefone celular, e no visor apareceu “privado”.
TERCEIRO
Foram realizados de 6 a 7 ligações.
QUARTO
Seu interlocutor ao telefone tinha voz masculina, e, pelas diferentes vozes (dicção) tratar-se-iam de 2 (dois) indivíduos.
QUINTO
Que enquanto falava seu interlocutor, ouvia vozes femininas e de outras pessoas ao fundo.
SEXTO:
Numa dessas ligações telefônicas, ouviu a voz feminina dizer “fica tranquilo, a jaca não é sua, é do prefeito”.
Aqui cabe um comentário. “A jaca não é sua”. O significaria “jaca” no contexto da frase? No meio da malandragem seria sinônimo de escândalo, confusão.
SÉTIMO:
Em diversos momentos, CARLOS cita que apesar de falar com alguém com voz masculina, ouvia vozes ao fundo, lhe parecendo tratar-se de um grupo de pessoas.
Aqui também cabe um comentário. Associarem-se três ou mais pessoas para finalidade específica…
OITAVO
Numa das conversas telefônicas, CARLOS informa que uma voz feminina falou ao seu interlocutor “vê com ele a questão de valores”.
Aqui novo comentário. O interlocutor de CARLOS e a pessoa detentora da voz feminina certamente possuem estreitos laços de relacionamento. CARLOS cita três vezes ter ouvida “uma voz feminina”. Porém, não cita se a voz pertence a uma mesma pessoa.
NONO
CARLOS também diz “o foco principal da cobertura seria o gabinete do prefeito e segundo eles, eu apenas venderia os aparelhos de escuta a eles e que pessoas ligadas a eles (do lado político deles) e que trabalham na sede da prefeitura…”
Aqui cabe observação. O que significaria “pessoas ligadas a eles (do lado político deles)…”?
Cidadão itaiense, pensemos. Em Itaí a política é efervescente. Atualmente, ainda mais. Alguém residente em Maringá, que na presença da Autoridade Policial fornece sua qualificação, telefone, endereço, autoriza a quebra de sigilo telefônico, que interesse teria em citar “lado político deles” em suas informações?
DECIMO
CARLOS deixa claro que houve contato com outro detetive, citando nome e cidade onde tal detetive poderia ser encontrado, e, ainda mais, menciona claramente que esse detetive “também atende essa região”, ou seja, Itaí.
Pois bem, cidadão itaiense, muitos outros detalhes podem ser recolhidos das informações de CARLOS. Certamente a autoridade policial realiza investigações neste sentido, além daquelas para confirmar ou não a veracidade das mesmas.
Porém, tais fatos nos deixam perplexos, pois se um prefeito, autoridade máxima do Poder Executivo no município estaria sendo vítima de investigação clandestina, com escuta e tudo mais, que dirá nós, pobres cidadãos, não é mesmo?
Escuta clandestina, investigação clandestina, forja de provas, são coisas da época da ditadura, isso é inegável. A mídia impressa, falada, online, televisionada, nos traz notícias que “estão sendo desmascarados os torturadores, os autores de desaparecimentos de pessoas – vide notícias sobre Vladimir Herzog e outros.
Nos dias atuais, esse tipo de conduta é inadmissível, ainda mais quando praticada por duas ou mais pessoas, dentre elas, mulheres.
Por outro lado, cidadão itaiense, não podemos mais aceitar tais condutas. Devemos refutar aqueles que agem como se vivêssemos numa ditadura, ou num regime totalitário.
Devemos acompanhar as investigações que estão sendo realizadas pela autoridade policial para cabal apuração dos fatos registrados pelo B.O. 587/14 da delegacia de polícia de Itaí.
O competente e zeloso delegado de polícia certamente trará a luz todos os fatos. E, trazendo, os culpados, se houver, devem ser legalmente processados até final julgamento.
Nada menos que isso podemos admitir, até porque não somos norte-coreanos, não somos reacionários, não somos nazistas.

FONTE JORNAL A OPINIÂO
 
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