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  O estado de São Paulo, leia-se também toda a região sudeste, registrou no último período "chuvoso", que foi de outubro 2013 a março 2014, uma das secas mais graves da história. Segundo dados do IAG (Instituto de Astronomia e Geofísica) da USP (Universidade de São Paulo), foi a temporada com menos chuvas desde 1969. Mais precisamente o 13º ano paulista mais seco desde que as medições começaram, em 1934. No entanto, o que parecia ruim, piorou e muito deste então e a histórica estiagem parece também ser longa. Rios imponentes e famosos até retratados na clássica música sertaneja, como o Piracicaba, estão praticamente secos.
             Estamos passando por um "período excepcionalmente seco, fora do curso", segundo especialistas do IAG. Como de costume, o mês de outubro já deveria ser chuvoso e já nos aproximamos de novembro, e até agora nada de chuvarada. Segundo números extra oficiais medidos na cidade de Avaré, o mês mais seco do ano até o momento foi junho, com apenas 21mm de chuva e setembro último, o mais chuvoso, com 104mm de chuva. Os dados oficias ainda não foram divulgados, mas estima-se que a média na região sudoeste paulista, nestes 9 meses do ano, não passam de poucos 40mm/mês.
             Resultado de tudo isso para nós avareenses, é o estado atual do ribeirão que abastece a cidade e da Represa Jurumirim, oriunda do represamento das águas do Rio Paranapanema, um dos poucos rios paulistas que ainda resistem a grande estiagem, mas nos dois casos, ribeirão e represa, estão batendo níveis negativos históricos.
              Visitamos no meio da semana a represa e para nossa surpresa, encontramos um local onde se acessa o leito da represa dezenas de metros adentro, de carro. Isso mesmo, a represa secou tanto que é possível passear de carro onde antes era água a uma profundidade de 2 metros e meio, aproximadamente. Pela galhada ainda restante no local, cerca de 150 metros da margem habitual do reservatório, já toda tomada por moluscos, pode-se pelo menos imaginar que as arvores ali outrora existentes poderiam compor a mata ciliar do leito original do Rio Paranapanema.
               De acordo com a Duke Energy, empresa concessionária responsável pelas oito usinas hidrelétricas construídas ao longo do Rio Paranapanema, inclusive a nossa Jurumirim, o volume do reservatório está em alarmantes 22,41%. Ainda de acordo com a empresa, a falta de chuvas já provocou, em anos anteriores, baixas significativas no nível do reservatório. Em 2000, por exemplo, Jurumirim atingiu o nível de 14,45%. Ainda assim, a geração manteve-se normal.
Muitos ainda acreditam que a água captada pela Sabesp e consumida em Avaré é provinda da Represa Jurumirim, por sorte do volume das águas da represa, isso não é verdade. Além dos cinco poços artesianos que captam água do Aquífero Guarani, a companhia também coleta água do Ribeirão Lajeado, e fomos até ele para conferir também "in loco" sua real situação.
               Estivemos mais precisamente no local onde a Sabesp capta a água para compor o abastecimento, por sinal, crescente da cidade. Fica dentro da reserva do Instituto Florestal, ou na Floresta de Avaré, mais conhecido como Horto Florestal.
               O que podemos constatar foi um ribeirão que começa a agonizar, não mais consegue suprir a demanda e num local projetado para controlar a vazão, a água simplesmente não consegue mais transpor o pequeno obstáculo ali deliberadamente construído. Segundo funcionários do horto, houve dias atrás, um registro de mortandade de peixes, logo abaixo da pequena estrutura, uma espécie de mini barragem que controla a vazão da água.
                Por sorte o ribeirão conta com a ajuda de afluentes e o Córrego dos Bretas é um que merece destaque. Outro importante afluente é o Córrego do Curtume, não fosse ele, o belo lago do horto provavelmente já teria secado. Ele junta-se ao ribeirão pouco depois da "mini barragem" e assim consegue fluir naturalmente e regar o horto florestal. Velhos moradores das redondezas e antigos funcionários do instituto relatam nunca terem visto o ribeirão com uma defluência tão baixa.

                  A Sabesp reconhece que os níveis dos mananciais estão em queda acentuada, mas diz que isso não afeta o fornecimento de água aos moradores de Avaré e nega qualquer risco de racionamento. A empresa destaca a série de investimentos realizados desde o ano passado que totalizam R$ 3,7 milhões, justamente para garantir a regularidade do abastecimento em Avaré, até mesmo em tempos difíceis como o atual.
                  Segundo a estatal paulista, em agosto deste ano, iniciou-se a perfuração do poço P11, e a previsão para conclusão é dezembro próximo. No primeiro semestre deste ano, a companhia concluiu a instalação de uma adutora de 1.600 metros de ferro fundido e 400 mm de diâmetro para levar água tratada a um novo Reservatório com capacidade de dois milhões de litros, localizado no Jardim São Luís. Com o devido perdão pelo trocadilho, literalmente somos salvos, não pelo gongo, mas pelos poços artesianos.

FONTE Jornal Folha de Avaré
 
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