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Polícia fará reconstituição de caso do morador morto durante surto por pm
Morador de Itaí surtou ao ver mulher morrer de infarto na casa da família.


Delegado ouvirá 6 testemunhas para fazer a simulação; PM alega defesa.
 A Polícia Civil fará uma reconstituição sobre o caso do morador que foi morto durante um surto de raiva por um policial militar após ver a esposa morrer, em Itaí (SP), na última quinta-feira (10). O delegado Luiz Fernando Rotelli afirmou nesta segunda-feira (14) que esse trabalho deve ser realizado ainda em setembro. “O objetivo é saber se atirar contra o homem era a única opção no momento ou se o policial agiu de forma precipitada”, explica.
 Segundo a Polícia Civil, o vendedor ambulante Gabriel Estati Rodrigues, de 58 anos, sofria de depressão e tomou vários calmantes logo depois que a mulher, Elsa Elena Cassu, de 56 anos, morreu de infarto. Depois de ingerir os remédios, o homem quebrou móveis da casa, tentou agredir a equipe médica e, com uma faca em mãos, quis impedir a entrada de dois policiais militares na garagem da casa, segundo a polícia. A PM abriu inquérito militar e defende que a equipe tentou conversar com o homem, mas alega que ele estava descontrolado com a faca.
Desde o início das investigações, na quinta, foram ouvidos os dois policiais militares envolvidos no caso, duas enfermeiras do posto de saúde do bairro e a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Foi instaurado inquérito de homicídio doloso, quando há intenção, porém em legítima defesa. “A alegação de legítima defesa pode cair caso seja comprovado que o tiro dado pelo PM foi desnecessário, que não havia riscos à equipe”, aponta Rotelli.
Agora o delegado quer ouvir seis vizinhos que assistiam à confusão no momento do tiro. “Essas testemunhas serão intimadas e espero que a partir de segunda-feira (21) comecem a prestar depoimento. Como são pessoas imparciais, não do lado dos policiais ou da família, elas contarão de onde viram o tiro para fazermos a reconstituição”, completa.
‘Por dois minutos’
Um dos filhos do casal, Décio Rodrigues, de 35 anos, conta que por pouco não evitou que o pai fosse morto. O homem estava na garagem impedindo a entrada dos policiais que tentavam acalmá-lo. Décio foi chamado por vizinhos para controlar Gabriel, mas a dois minutos de chegar à casa dos pais, um dos policiais atirou contra o homem após ver a faca. “Se aguardassem fora de casa nada disso tinha acontecido. Agora, além da minha mãe, enterrei meu pai também.”
Segundo Décio, o pai tinha trauma de policiais militares porque perdeu um filho morto também por policiais em 2011, em Wenceslau Braz  (PR). “Foi uma covardia o que fizeram. Meu pai só não queria que eles entrassem porque tinha trauma de policial devido ao meu irmão, que era o 'xodó' dele. Ele pediu para que me esperassem chegar, só que os policiais foram entrando”, diz.
Décio relembra ainda que, dois dias antes do caso, o pai chegou a revelar uma foto do irmão morto junto com os netos e a colocou em um porta-retrato na estante da sala. "Colocou em frente de onde costumava sentar, só para ficar olhando."



fonte/  Do G1 Itapetininga e Região/  
foto /
Gabriel (esq.) e filho Ricardo (dir.) morreram por PMs; Elsa, de infarto (Foto:Arquivo Pessoal/Décio Rodrigues)
 
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