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Nesta segunda-feira última, a fábrica de confecção estabelecida na cidade de Itaí, onde funcionava, desde setembro de 2020, no “Ferro velho do Chicão”, teve suas atividades suspensas após visita do senhor Joserlei Custódio Gonçalves presidente do Sindicato do Ramo de Confecções de Taguaí, Fartura e Região, que esteve atendendo denúncias por parte dos funcionários que reclamavam do atraso constante do pagamento, o não pagamento do último vencimento, o não pagamento de 13º e férias, a falta de registro em Carteira de Trabalho, não recolhimento de FGTS e outros direitos e as precárias condições do prédio e das instalações do mesmo. Na oportunidade foi constatado total falta de condições de trabalho. Ao todo, a confecção conta com 42 funcionários praticando o chamado (como disse o representante do sindicato) trabalho escravo sendo que conforme ainda apurou o sindicalista, além de não pagar de forma correta os salários e benefícios, o empregador desconta dos funcionários os dias não trabalhados. Segundo Joserlei, já acumulam mais de R$ 15 mil que são retirados dos benefícios dos funcionários.


De acordo com a funcionária Maria, costureira que trabalha no local desde a abertura da empresa, o atraso nos pagamentos sempre aconteceu, as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores eram enormes, com banheiros sem condições de uso, água para se beber era necessário buscar num posto de gasolina que se encontra nas proximidades e isso, sem falar da falta de equipamentos de trabalho (EIP), e a falta de cuidados para com a pandemia, onde todos trabalham agrupados no mesmo espaço sem manter o distanciamento, sem álcool gel e outros cuidados pertinentes. Segundo ela, o não pagamento do 13º no final de ano e a atraso no vencimento deste mês, deixou os funcionários preocupados e desconfiados e com medo de não receber, já que todos que ali trabalham é porque precisam do dinheiro. “Ele é bom de lábia, nós confiamos nele e deu nisso... a pessoa que é mau pagador não muda, ele já aprontou dessa em Avaré e agora aqui. Espero que ninguém de Itaí queira trabalhar com ele. Eu mesmo nunca mais!


A narrativa foi confirmada pelo funcionário Welligton que disse que a situação precária de trabalho e a falta de pagamento chegou ao limite a ser suportado pelos funcionários, por isso foi feita a denúncia juto ao Sindicato. ¨de acordo com a empresa que manda o material para confeccionarmos, após entrega do produto, em 7 dias ela efetua o pagamento e nossa parte não é repassada¨, afirmou.


Já Cicero, proprietário da empresa Miranda & Santos Confecções Ltda, acusado também de trabalhar na ilegalidade, não quis estender-se a respeito do caso, apenas disse que os salários sempre atrasavam porque os funcionários não conseguiam atingir as metas de produção, o que dificultava o recebimento junto as empresas que fornecem as peças de roupas a serem produzidas (informação contestada pelos funcionários). Disse também que é de Arandu, mas reside em Bernardino de Campos, onde antes tinha uma confecção, e que resolveu vir para Itaí iniciar um novo trabalho. Cicero, disse que iria efetuar parte do pagamento dos vencimentos dos funcionários e que numa outra oportunidade, quitaria o restante e buscaria meios de quitar os atrasados. Disse ainda que sua intenção era num futuro próximo regularizar a situação de cada um dos funcionários e da própria empresa.


Depois de muita conversação entre o representante do Sindicato, o proprietário e funcionários, documentos e anotações relativos à empresa foram confiscados e decidiu-se pela paralisação imediata dos trabalhos. A advogada Barbara Tavares foi convidada a comparecer e passar a representar os funcionários na busca de soluções, primeiramente a advogada informou que seria uma ação coletiva (medida cautelar) para resolver os problemas imediatos e, depois, numa segunda parte, já realizando os processos trabalhistas, passaria a representar individualmente cada funcionário, o que foi concordado pelos mesmos. Essa ação solidária deverá envolver também as empresas que fornecem os serviços a confecção, visto que elas devem explicar qual o critério para enviar material para uma empresa irregular contribuindo em lesar o trabalhador.


Os vereadores Luis Coutinho Aguiar e Mauricio Padeiro estiveram acompanhando a chegada do Sindicato e as negociações que se estenderam por todo o dia, quando no final da tarde o empresário quitou parte dos vencimentos dos funcionários. Na expectativa de receber o restante no dia seguinte (hoje, terça-feira) e para evitar que maquinários e as peças de confecção que se encontravam no barracão e que floram confiscadas como garantia de pagamento aos funcionários, fossem retiradas na surdina, alguns funcionários resolveram por bem, pernoitarem no local.


Para o vereador Coutinho a presença do Sindicato foi de suma importância, pois os funcionários se sentiram seguros e representados, se sentiu chateado e triste pelo fato de a empresa que emprega tanta gente, iniciou seus de trabalho de forma errada e, mesmo sendo notificada, autuada e cobrada a tomar soluções, continuou da mesma maneira, um fato lamentável visto que ele mesmo Coutinho e outros companheiros do Legislativo estão em busca de empresas do ramo para se instalar na cidade, tanto que já estiveram visitando empresas na cidade de Taguaí e mantendo contato direto com empresários que queiram se estabelecer no município. “Isso é muito triste, mas vamos ficar atentos a tudo que acontece, esperamos que o proprietário desta confecção consiga regularizar a empresa e a situação dos funcionários para seguir trabalhando de forma correta a partir de então, caso a mesma encerre de vez suas atividades, esperamos que outras empresas do ramo se interessem a se instalar em nossa cidade e possa oferecer emprego aos itaienses, principalmente esses que estão habituados ao trabalho e que ficarão desempregados no momento”, disse Coutinho.


“Buscamos empresas que queiram se estabelecer em nossa cidade, mas que cumpram as leis, a CLT, e que garantam a segurança do trabalho, registro em carteira entre outros direitos. É mais interessante termos uma empresa que emprega 10 funcionários de forma correta a uma empresa que empregue muitos e acabe causando transtornos a todos” completou Coutinho.

 
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